Exército atlante

De Crônicas de Atlântida - Wiki
Jin de razés

O exército de Atlântida é formado normalmente por voluntários, cidadãos ou estrangeiros, que são razoavelmente bem pagos, considerados os benefícios (alojamento, roupas, serviço médico etc.) e, quando estão em suas guarnições permanentes, dispõe de um grau de conforto similar ao de um cidadão atlante comum (salvo no que se refere à privacidade) e freqüentemente superior ao dos civis dos povos conquistados entre os quais se aquartelam.

Os estrangeiros, depois de cumprido o período mínimo do serviço militar, ganham automaticamente a cidadania atlante. Os civis atlantes só são obrigados a servir em caso de necessidade extrema. Civis dos povos vassalos e conquistados ainda menos, salvo se já integrarem milícias locais, às vezes convocadas a servir como tropas auxiliares.

O exército é organizado em zemens, comandadas por mentôs. Cinco zemens formam a guarda imperial e a guarda da capital; as restantes ficam dispersas pelo resto do império, principalmente nas regiões de fronteira. Entretanto, toda legião tem um centro de recrutamento em Atlântida, com uma base territorial formada de um ou mais municípios (ou bairros da capital) e que inclui uma escola militar encarregada do treinamento básico dos soldados.

Em tempo de paz, os soldados são treinados por dois anos antes de serem incorporados às zemens – normalmente, o primeiro ano é de treinamento básico similar para todos e no segundo são preparados para serem razés, cenzés, nenguezés ou leguezés. Em tempo de guerra, esse treinamento pode ser reduzido a seis meses. Normalmente, há quatrocentos recrutas em treinamento em cada escola militar. Em princípio, qualquer homem ou mulher livre e de boa saúde pode se candidatar, mas o interesse de jovens atlantes e mercenários estrangeiros por uma carreira militar é suficientemente alto para que os recrutadores possam se dar ao luxo de serem seletivos, escolhendo os candidatos fisicamente mais aptos.

Já aqueles considerados qualificados para serem oficiais fazem o primeiro ano de treinamento básico dos soldados (a menos que já sejam soldados experientes) e são em seguida enviados à academia de oficiais, onde permanecem quatro anos antes de serem integrados às legiões (um de treinamento básico de oficiais e três anos de especialização). A academia conta normalmente com quatro mil cadetes em treinamento. Estrangeiros raramente são aceitos pela escola de oficiais, a menos que já tenham provado sua lealdade ao Império. O estatuto de quanciós (pequena nobreza) ou superior é requerido, mas não suficiente: é preciso também atender a requisitos especificamente militares. Membros da família real ou imperial que desejem seguir a carreira militar também precisam atender a esses requisitos e passar pela academia, embora tenham alguns privilégios e comecem sua carreira com um posto mais elevado.

A base permanente principal de uma zemen pode ser localizada dentro de uma grande cidade, geralmente junto às suas muralhas, ou então em uma vila especialmente construída em lugares estratégicos, perto da fronteira. Várias fortalezas e bases menores podem estar sob seu comando.

As punições por preguiça, insubordinação e covardia podem ser severas, variando de tarefas desagradáveis e açoites leves (mais humilhantes que outra coisa) à escravização e execução. Os castigos são normalmente ditados pelos comandantes, mas casos graves ou que envolvem oficiais são levados a cortes marciais – salvo em situações de combate, quando resultam em execuções sumárias. Entretanto, os soldados atlantes normalmente são disciplinados e honrados.

A sexualidade está integrada nas tradições militares de Atlântida. Heterossexual ou homossexual, é perfeitamente aceitável, desde que não interfira na disciplina, mas as mulheres que engravidam sem permissão (apesar dos meios anticoncepcionais disponíveis, quase sempre eficazes) são desligadas do Exército.

Soldados e oficiais podem se casar depois de terminar seu treinamento. Os oficiais e o pessoal de apoio não-combatente, que podem morar com as esposas (ou maridos) nos quartéis, frequentemente o fazem, mas entre os soldados, que dormem em alojamentos coletivos e só podem encontrar a família nos dias de folga, isso é pouco comum.

A atitude dos comandantes atlantes em relação à guerra normalmente é pragmática e racional: busca a vitória ao menor custo possível, dentro do código de honra atlante. Este proíbe, especificamente, subornar inimigos para matar ou trair seus superiores – embora infiltrar assassinos, espiões e sabotadores, ou oferecer recompensas a informantes e desertores seja considerado aceitável. Também é proibido saquear ou escravizar civis que não tenham resistido ao exércitos atlantes e os soldados atlantes são suficientemente disciplinados para aceitar essa restrição.

Saquear e escravizar inimigos derrotados e civis que os ajudaram ou resistiram à invasão é, porém, aceitável. Nesses casos, o saque é feito de maneira organizada e disciplinada, obedecendo às instruções do comandante sobre o que pode ser feito quem e o que pode ou não ser tocado – estupros e assassinatos arbitrários são proibidos; templos, hospitais, museus e bibliotecas são respeitados. Os cativos e o produto do saque são vendidos aos mercadores que costumam seguir de perto os exércitos atlantes e a receita é rateada entre todos os soldados, proporcionalmente a seus soldos.

Guerreiros e oficiais excessivamente obcecados pela glória não são bem vistos e podem ser punidos, se sua atitude implicar desobediência, causar riscos desnecessários ou se mostrar simplesmente estúpida. A rendição, porém, é considerada extremamente desonrosa – e, quase certamente, levará à escravização dos sobreviventes pelo inimigo. Um exército atlante acuado provavelmente sustentará pesadas perdas e exaustão extrema antes de se render.