Gah

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Gah ou família é uma subdivisão de um clã matrilinear senzar, composta por membros de um mesmo clã que compartilham do mesmo nome de família e são liderados por uma matriarca e um patriarca. Geralmente, membros de uma mesma família de um determinado distrito compartilham de uma mesma grande casa, onde vivem vários casais e várias gerações num total de dez a cem pessoas. São exceção dos aristocratas a serviço do Estado, que vivem como famílias nucleares cercadas por seus servos e agregados, mas mesmo estes não perdem a ligação com a gah de origem, visitando-as ou recebendo as visitas dos parentes com certa frequência. Todos os membros adultos são considerados coproprietários dos bens comuns da família, incluindo a casa e os eventuais escravos, mas sua participação na renda depende de sua posição, trabalho e mérito conforme a tradição e as decisões da família. Matriarca e patriarca respondem pelos negócios de rotina da família, eventualmente com ajuda de outros membros, mas os negócios mais importantes precisam da aprovação da maioria dos membros adultos, quando não do seu consenso.

O mais comum é que os homens senzares se casem com mulheres de outra família do mesmo clã e passem a morar na maior parte do tempo com elas. O núcleo de uma gah se constitui, portanto, de um grupo de mulheres relacionadas pelo parentesco materno (mães, tias maternas, filhas, sobrinhas maternas, irmãs e primas paralelas). Essas mulheres costumam ter um forte senso de família e solidariedade. Compartilham a amamentação dos filhos e não é raro que compartilhem também seus maridos, mas jamais fazem sexo entre si, pois isso seria incesto. É comum, embora não obrigatório, que escolham entre si as madrinhas de seus filhos.

Sob o mesmo teto, vivem os filhos menores ou jovens solteiros, os maridos e irmãos ou tios maternos viúvos ou separados, mais raramente os casados. Mas mesmo os tios maternos que vivem com suas esposas em outras famílias continuam a ter responsabilidades para com os sobrinhos e as sobrinhas, principalmente no que se refere à sua educação e iniciação nos costumes do clã (ver poder avuncular e o direito de participar das decisões familiares mais importantes.

Uma família pode adotar uma pessoa adulta como irmã de um de seus membros, o que automaticamente implica sua participação em pé de igualdade nas propriedades e nas decisões da família, ou uma criança como filha de uma de suas mulheres. Ambos os casos exigem o consenso do conselho de família, assim como a expulsão e deserdação de um membro. A relação de irmandade ou filiação é válida para todos os fins legais, inclusive de caracterização de incesto.

Além dos maridos, mulheres livres de outras famílias ou clãs podem ser aceitas numa família como agregadas de maneira formal, tornando-se segunda esposa de um dos maridos da família. Tanto os maridos quanto essas coesposas têm participação nos negócios quotidianos e na renda da família, mas não na propriedade, à qual normalmente perdem o acesso caso se divorciem ou fiquem viúvos. Nesse caso, devem retornar à família de origem, a menos que haja algum acordo especial. Os agregados também não participam das decisões relativas aos bens de raiz ou às relações com o clã. Mais precária é a posição de homens e mulheres livres cuja relação com a família é informal, de concubinos ou similares. Neste caso, sua posição depende inteiramente do apoio de seus companheiros e da boa vontade dos parentes.