Agartis

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Os agartis são a etnia dominante do Império de Agarta, no qual falam principalmente a língua agarti. Também são agartis as elites dos principais estados vassalos desse império.

A etnia conhecida como agarti parece ter-se originado de um ramo dos dengus, levemente mestiçados com senzares, fomoris e caris. Após a fundação do Império de Agarta formou-se o sistema de castas, por meio de seleção e imposição de casamentos pelos sacerdotes. Surgiram assim a casta sindhu, sacerdotal, intelectual e administrativa, a casta tauta, guerreira, pragmática e empreendedora; a casta pardhava, nômade, pastoril e mercadora; a casta arabaya, camponesa e construtora; e a casta yavana, poética e artística, em ordem hierárquica decrescente. Todos estes, porém, eram considerados superiores aos helcarianos, mugais, ziaans e lems conquistados, tratados como servos ou escravos.

Na prática, o gosto e o talento para as funções assinaladas pelo nascimento não ficaram tão fixados na “raça” da forma que os sacerdotes agartis esperavam e muitos ficaram descontentes com sua posição na hierarquia agarti, principalmente entre os yavanas. Rebeliões internas obrigaram os agartis a tolerar que yavanas, arabayas e pardhavas rebeldes, organizados em tropas auxiliares, deixassem o coração do Império para fundar, em terras recém-conquistadas, seus próprios reinos vassalos, nos quais o sistema hierárquico original foi modificado de maneira mais ou menos radical, conforme o caso.

Nas principais cidades-estado do domínio conquistado pelos yavanas (que ali passaram a ser chamados iavones) as castas foram trocadas por um sistema mais ou menos meritocrático e a mistura de alguns dos acaios com um grupo de tautas que os acompanharam e com os caris nativos deu origem a duas novas “raças”, a dos tuatas (yavanas-tautas) e a dos milésios (yavanas-caris) que predominam, respectivamente, nas porções norte e sudeste de seus domínios, enquanto os iavones mais “puros” concentram-se no oeste.

Também dentro da própria casta sacerdotal surgiram descontentes que pregaram a unidade dos agartis. Estes fundaram seu próprio reino vassalo nas terras de Jambu conquistadas aos lems (entre os quais também existiam comunidades de imigrantes mugais e senzares), ao qual chamaram Bárata, mas lá acabaram por reproduzir, de outra forma, a estrutura de castas do Império de Agarta: os agartis unificados, chamados bramas, se tornaram a casta sacerdotal, enquanto grupos mestiçados com senzares formaram a nova casta guerreira rájana e os misturados com mugais a casta visha, de proprietários de terra e comerciantes, todos considerados superiores aos nagas (senzares), dásias (tlavatlis), rakshasas (lems pardos) e takshakas (lems negros), reduzidos à servidão.

As etnias agartianas tendem a ser mais peludas do que os atlantes e os homens podem ter barbas bem desenvolvidas. Costumam ter cabelo ondulado, mas podem ter cabelos e olhos de qualquer cor. Dengus e sindhus tendem a ter cabelos platinados; tautas e tuatas, cabelos loiros ou castanhos; arabayas, pardhavas, yavanas, iavones e bramas, cabelos negros ou castanhos.

Cultura

A música é a forma de arte mais prestigiada e desenvolvida em Agarta. É uma das poucas formas pelas quais os yavanas podem conquistar o respeito das classes superiores. A música religiosa é a única arte, além da arquitetura, à qual os sindhus podem se dedicar. Baseadas em instrumentos e escalas e modos tradicionais e refinados ao longo de milênios, a música agartiana tende a lembrar as ragas indianas da Terra. O teatro e as artes figurativas são consideradas distrações vulgares, proibidas aos sindhus e apropriadas apenas às castas inferiores.

A reprodução é submetida a complexas regras e proibições. A realização de casamentos exige autorização dos sacerdotes, que o proíbem a indivíduos considerados ineptos, doentios ou malformados e só o permitem entre integrantes da mesma casta. As relações sexuais dentro do casamento são incentivadas mas reguladas pelos sacerdotes, que indicam dias e horas mais adequadas para a concepção de filhos saudáveis. A prostituição é tolerada quando praticada por mulheres, mas mal vista. Apenas as mulheres da casta dos yavanas e as escravas podem praticá-la. As prostitutas yavanas são cultas e independentes; as escravas respondem pela baixa prostituição, normalmente a serviço de um pardhava. É severamente proibido à casta dos sindhus recorrer a prostitutas. Espetáculos eróticos públicos são proibidos.

A dieta é regulada de acordo com as castas. A carne é totalmente proibida à casta superior dos sindhus, mas não os laticínios, que são consumidos em grande quantidade. Os tautas recebem as carnes mais nobres (inclusive toda a caça grossa) e alimentam-se principalmente delas; os pardhavas também comem carne em abundância mas geralmente de qualidade algo inferior e também são os maiores consumidores de laticínios. Os arabayas consomem maiores quantidades de cereais (principalmente pães de trigo, cevada e centeio, mas ainda comem mais carne que o atlante médio. Os yavanas constituem a casta mais baixa e não consomem carnes nobres, mas comem peixes e suínos, desprezados pelas outras castas e temperam sua comida com alho e cebola, considerados grosseiros por outras castas e proibidos aos sacerdotes.

A arquitetura agarti tende a ser tão monumental quanto a atlante, mas o uso generalizado de arcos, minaretes e enormes domos em forma de botão de loto (como o do Taj Mahal ou das basílicas russas) e a ausência de pirâmides e torres maciças a faz parecer mais leve e graciosa. Os agartis constroem a maioria de seus templos de mármore branco, mas também usam pedras cinzentas, vermelhas, verdes e púrpuras com fins decorativos. As paredes podem ser incrustadas de motivos decorativos abstratos ou símbolos religiosos (freqüentemente em ouro) e encimadas por frisos em alto-relevo que às vezes são pintados, mas, ao contrário dos atlantes, os agartis não fazem uso de pinturas ou desenhos figurativos sobre paredes planas.