Concubinato

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Concubinato tem duas traduções possíveis em senzar: e ron, uma união livre e estável em pé de igualdade que não é legitimado pelo casamento e ceb, uma união de caráter sexual que implica subordinação, servidão ou escravidão de um dos parceiros ao outro. Entre outras diferenças, um ron precisa do consentimento dos cônjuges, se existirem (e da família caso o parceiro não seja dono da própria casa) e seus filhos têm paternidade reconhecida, ao passo que nada disso se aplica a um ceb. Em ordem decrescente de dignidade e legitimidade social, existem as seguintes categorias:

  • bor, "cônjuge", é o parceiro com quem se tem um casamento legítimo. Para os senzares, só é permitido o casamento de um máximo de três parceiros, mas a lei atlante reconhece os diferentes costumes matrimoniais de outros povos, contanto que nenhum dos cônjuges seja senzar. Quando já existe um casamento a dois, é preciso o consentimento de ambos para se admitir um terceiro cônjuge. Salvo quando contratos matrimoniais especiais dispõem de outra maneira, o casamento é por tempo ilimitado, embora o divórcio seja admitido. Seja qual for a realidade biológica, a paternidade dos filhos de uma mulher casada é legalmente do marido, se houver só um e nenhum ron. Se há mais de um marido ou ron do sexo masculino (ver abaixo), cabe à mãe nomear o pai legal. Casamentos homossexuais são possíveis, mas incomuns.
  • ron, "amásia(o)" ou "comborça(o)" é o parceiro sexual com o qual se tem uma união livre e estável sob um mesmo teto por mais de um ano, sem subordinação e usualmente sem celebração formal, mas reconhecido por testemunhas. A lei não restringe os rons, desde que haja consentimento do bor ou bors, caso existam. É uma situação comum entre jovens tlavatlis, que costumam experimentar muitos parceiros e só formalizar o casamento depois do nascimento do primeiro filho, mas é um tanto excepcional entre os senzares, visto quase que só em casamentos mistos (com outras raças), aventureiros e alguns raros polígamos que não se satisfazem com um casamento a dois ou três. Os senzares jovens de estatutos modestos a médios têm liberdade sexual, mas raramente moram juntos antes de se casar e os senzares suficientemente ricos e luxuriosos para possuir um harém preferem ter cebs para não dispersar a herança e as alianças familiares.
  • xerinceb, "concubina(o) livre" (literalmente, "concubina(o) sem coleira") é uma pessoa livre de qualquer estatuto que aceita servir de amante e acompanhante de alguém com exclusividade, por tempo limitado ou indefinido, sob certas condições estipuladas em contrato, que podem ser modestas ou incluir uma remuneração principesca. Não é necessária permissão de cônjuges para se contratar xerinceb e a relação não traz garantias além das explicitadas em contrato. Não há paternidade dos filhos dessas uniões, a menos que sejam legalmente adotados. Ter um ou uma xerinceb, principalmente para os senzares, pode ser uma forma de acomodar uma relação com um parceiro inadequado do ponto de vista social ou familiar, mas também pode ser um símbolo de riqueza e prestígio, quando se trata de um ou uma kalké de muita fama.
  • posceb, vassala(o)-concubina(o) é um(a) concubina(o) de luxo da aristocracia ou da própria família imperial. É comum que a vassalagem seja oferecida pela própria pessoa ou por seus pais, pelas vantagens em servir a um senhor ou senhora importante. Em muitos casos, é considerada honrosa e vantajosa, mesmo para pessoas relativamente bem-nascidas. Seja qual for sua origem - pode ser também resultado da elevação de uma nuceb considerado merecedora, ou de se ter nascido nesse estatuto -, é considerada como um juramento de lealdade e serviço pessoal, que não pode ser vendido, embora o suserano possa desobrigar o vassalo, se ambos quiserem. Um posceb pode ter propriedades, frequentemente é rico e tem uma vida de relativo luxo, incluindo servos ou escravos próprios. De resto, seus direitos e deveres são semelhantes aos do nuceb. Só um corrente-de-ouro ou um membro da realeza pode ter posceb, que é por isso um símbolo de estatuto elevado.
  • nuceb, serva(o)-concubina(o), é alguém que foi submetido à servidão sexual por alguma razão. Pode ter sido vendido ou vendida nessa condição pelos pais, vendido a si mesma(o) ou aceitado essa condição por incapacidade de se sustentar, pode ainda ter herdado o estatuto da mãe ou ser reduzido a ele como punição por algum crime ou para saldar dívidas. Um escravo ou escrava pode também ser elevado a esse estatuto por um senhor que assim o deseje. Ao contrário de outros nuciós, um nuceb não têm direito a se casar ou constituir família (a menos que seu senhor decida mudar sua condição), mas tem direito a propriedade e dignidade, o que significa que não pode ser submetido a castigos cruéis, nem forçado a executar serviços alheios à sua qualificação. No caso de um(a) nuceb, isso tradicionalmente inclui, além dos serviços sexuais, entretenimento e cuidados corporais, do senhor ou senhora ou de seus convidados, à sua ordem. O senhor não é obrigado a remunerar os serviços, mas deve respeitar a propriedade do servo, se o fizer. Se permitir ou exigir que uma nuceb seja mãe, a maternidade é legalmente reconhecida. O filho ou filha nasce servo, mas não pode ser separado da mãe antes da maioridade. Será treinado na qualificação que o senhor desejar, mas caso seja a de nuceb, não pode prestar serviços sexuais antes da puberdade. Só um corrente-de-prata ou superior pode possuir um(a) nuceb, cujo valor no mercado, dependendo da idade, beleza e qualificações, pode variar de 200 a 10 mil ases, ocasionalmente mais.
  • rarceb, escrava(o)-concubina(o) é simplesmente um rarciós ao qual foi imposta essa função, pois esse estatuto não tem direito a qualificação legal e é obrigado a acatar qualquer ordem de seu amo, seja qual for a origem de sua condição: presa de guerra, punição por um crime, dívidas não saldadas, ou simplesmente ter nascido com esse estatuto. Entretanto, como rarciós de boa aparência têm alto valor no mercado, raramente são desperdiçados em outras funções, ao menos enquanto são jovens. Os rarciós não têm direito a família, a propriedade ou mesmo ao nome, que pode ser mudado à vontade do proprietário. Este pode premiá-los se o desejar, mas também pode tomar de volta qualquer benesse, com ou sem motivo. Não pode matar ou mutilar os escravos, o que também implica não abusar de crianças pequenas, e deve castigá-los "com moderação" segundo os costumes correntes. Se o amo permitir ou exigir que uma rarciós engravide, deve permitir que a amamente e não pode separá-la da criança antes dos sete anos, mas de resto dispõe livremente dos escravos e sua maternidade (e paternidade) de rarciós legalmente não existe. Um indivíduo pode valer como escravo o dobro do que valeria como servo, porque as restrições a seu uso e tratamento são muito menores e o mercado mais amplo (basta poder pagar para se possuir um), mas como são em média menos qualificados, os preços são da mesma ordem.