Ih

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Ih, em senzar, yewati, em tlavatli é uma noção comparável às de "aura", "mana" e "axé", interpretada pelos magos de Kishar como um padrão de vibrações do derkês, substância subjacente a toda a realidade, todos os elementos e todas as formas espirituais. Quem consegue manipular o ih de forma adequada pode provocar efeitos surpreendentes sobre o mundo real, sem causa física aparente. É como se puxasse fios invisíveis, tecidos do lado avesso da realidade. Essa arte é conhecida em senzar como ihguh, "magia".

Cada substância, objeto, pensamento ou movimento tem alguma espécie de ih que o operador precisa identificar e entrar em ressonância se quiser puxar os fios da realidade invisível e produzir o efeito desejado.

Uma metáfora comum entre os acaios, cuja cultura tem um fascínio especial pela música, é que o ih é uma canção que o operador mágico precisa ouvir para então modificar introduzindo outra linha melódica e criando um contraponto. Produzir um determinado som musical é, aliás, uma das formas de conseguir essa ressonância, embora não seja a única, nem necessariamente a mais eficaz. Na civilização dos senzares, mais interessada na pintura e artes plásticas, a metáfora favorita refere-se a pintar um quadro com as adequadas combinações de cores e contrastes.

Um encantamento é um ih cuidadosamente preparado e vinculado a um receptáculo material (o corpo do próprio operador, um objeto ou o corpo de outro indivíduo). Muitos encantamentos podem permanecer latentes até seu efeito ser deflagrado por uma senha previamente preparada: uma palavra, um gesto, ou uma condição. As senhas são usualmente fixadas pela tradição, mas podem ser substituídas por outras se o operador assim quiser. Entretanto, este deve escolher palavras comuns ou gestos costumeiros, sob pena de deflagrar o feitiço em um momento inoportuno – por isso, são sempre usadas palavras inventadas ou de línguas mortas e gestos estranhos.

Assim como o espectro das cores refratadas por um prisma de cristal ou a gama de sons que podem ser produzidos variando-se o comprimento de uma corda, as vibrações ih formam um contínuo de infinitas possibilidades. É possível, porém, produzir uma vasta variedade de efeitos com a combinação de um número finito de frequências, chamados diás, que podem ser comparadas a cores ou notas musicais.

Um limite comum à maioria dos encantamentos é que não podem atingir um ser individual ou um objeto específico que não esteja à vista do encantador, a menos que este disponha de uma conexão material concreta com esse ser ou objeto – tal como um fragmento (uma mecha de cabelo para uma pessoa, um pedacinho do muro para uma construção), uma marca pessoal e inconfundível (um retrato, uma pegada) ou algum objeto que tenha estado em contato íntimo ou seja importante para esse indivíduo (uma roupa íntima, uma peça de coleção muito estimada) – ou do “verdadeiro nome” da pessoa ou do objeto, o que geralmente é muito mais difícil de conseguir e nem sempre existe.

A razão disto é que nenhuma combinação finita de angs pode reproduzir com suficiente precisão o padrão de um ser individual. Toda magia baseada em diás é genérica e se estende ou se dilui sobre toda uma classe de entidades, a menos que seja pessoalmente dirigida pelo encantador a um alvo visível (ou, ao menos, magicamente visível).