Raltlor

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A vila de Raltlor e suas vizinhanças

Raltlor, "velha pirâmide" em senzar, é o nome de uma vila perto do extremo oriental da grande planície subtropical de Atlântida e do distrito por ela governado.

O Distrito de Raltlor

O distrito de Raltlor, um quadrado de dois quilômetros de lado, inclui a vila de Raltlor e a vizinha aldeia de pescadores de Tochiwayo, com cerca de 300 habitantes. Ao sul e a leste, o distrito é limitado por dois dos canais secundários que cruzam a planície, cada um deles com cerca de 30 metros de largura, que podem ser navegados por embarcações de médio porte. A norte e a oeste, é limitado por canais de irrigação terciários, navegáveis apenas por botes e gôndolas.

A vila principal foi construída sobre a metade sul de um morro com aproximadamente um quilômetro e meio de comprimento no sentido norte-sul, 600 metros de largura e cem metros de altura média, chegando a duzentos no ponto mais alto. Um pouco ao sul do centro da vila encontra-se seu templo principal, dedicado a Minzin, deusa da noite e dos astros, Gutis, seu esposo, deus da astrologia, da verdade e dos juramentos e seus filhos.

A metade norte do morro forma um promontório sobre um pequeno lago, conhecido em senzar como Tebtor (lago da borboleta). No alto do promontório, no ponto mais alto do morro, há um velho templo piramidal, abandonado e com fama de mal-assombrado, mas que dá o nome à vila e ao distrito.

O morro e o lago não só quebram a monotonia da paisagem da grande planície e dão a Raltlor um perfil muito característico, como também lhe dão uma prosperidade superior à da maioria das cerca de 60 mil vilas que pontilham a planície. O morro, um afloramento vulcânico de solo muito fértil, é particularmente adequado ao cultivo de videiras que produzem um dos melhores vinhos de Atlântida (ainda que os esnobes os considerem inferiores aos melhores vinhos acaios). Também preserva a vila da inundação periódica, decorrente do derretimento das neves nas regiões montanhosas do centro da ilha de Ruta, que cobre e fertiliza a grande planície a cada verão e possibilita à vila de Raltlor ostentar uma arquitetura incomumente majestosa para uma vila dessa região.

O lago, muito piscoso, proporciona uma receita significativa com a venda de peixe fresco e salgado às vilas vizinhas e sustenta uma antiga aldeia de pescadores. É conhecida como Tochiwayo, nome tlavatli do lago, cuja origem é incerta (segundo uma interpretação discutível, significava originariamente “umidade da vulva”). Como a maioria das vilas e aldeias da planície, foi construída sobre palafitas, que protegem as casas as cheias periódicas. É uma das poucas comunidades autenticamente tlavatlis da Planície, onde os remanescentes desse povo estão, na sua grande maioria, mestiçados com os senzares, falam apenas sua língua e estão integrados em sua sociedade e seus costumes. Como muitas comunidades tlavatlis, Tochiwayo tem uma pilpokali, uma “casa dos jovens”, onde os adolescentes vivem em comunidade do início da adolescência até constituírem família. Muitos tlavatlis são pescadores, mas outros vivem como artesãos, prestadores de serviços diversos, tais como os de barbeiro, parteira, pedreiro ou trabalhador rural nas fazendas senzares.

A oeste do lago, há uma pequena floresta (cerca de 100 hectares) conhecida como Sissã Lammu, “Bosque dos Cervos”, reserva protegida pelo governo do distrito. O restante das terras estão ocupadas, na maior parte, por fazendas que cultivam arroz, algodão, milho, uvas, e cana-de-açúcar ou criam animais, principalmente porcos e cavalos. Com exceção das plantações sobre o morro e os socalcos (“degraus”) construídos em suas encostas, dedicados principalmente a vinhas, as terras aráveis são baixas e cruzadas por pequenos canais de irrigação, geralmente margeados por palmeiras e outras árvores. Nessas propriedades, não há casas, mas apenas abrigos para animais e depósitos de materiais, pois os donos e trabalhadores moram na vila de Raltlor ou na aldeia tlavatli.

Política e sociedade

Quase todas as terras agrícolas pertencem à comunidade senzar de Raltlor, cuja vida política e econômica é dominada pela rivalidade entre dois clãs, Zi (clã do Leão) e Ralfu (clã do Tigre), que têm se alternado nos postos de prestígio da vila, dos quais os mais importantes são os de alcaide, de juiz, de chefe da milícia distrital e os de sumos-sacerdotes de Minzin e de Gutis.

O conselho da vila faz periodicamente uma redivisão da maior parte das terras entre as famílias desses dois clãs (como, por exemplo, as famílias Temtes e Akos do clã Zi), de acordo com o tamanho de cada família e o prestígio e as honras conquistadas por seus membros, como determina a lei atlante. Cada família senzar – tipicamente por vários casais e várias gerações, somando dez a trinta pessoas – detém uma gleba de 5 a 20 hectares. Umas poucas famílias de outros grandes clãs – importantes em outros distritos de Atlântida, mas minoritários em Raltlor – também possuem glebas.

Além dos camponeses e funcionários senzares e dos pescadores e artesãos tlavatlis, também vivem na vila algumas famílias de comerciantes caris e alguns neoatlantes, entre os quais estão os poucos escravos do distrito, a serviço da alcaidia, do templo ou de alguns dos patriarcas Zi e Ralfu.

Teptor

Do outro lado do lago está a vila de Teptor, com a qual Raltlor mantém uma antiga rivalidade. Embora seja algo menos próspera e um pouco menos populosa (1.000 habitantes), também ostenta belas construções e monumentos – em particular, o templo de Tloi (deusa da compaixão) e Dotlas (deus da ousadia e astúcia), não só mais belo e antigo, como mais prestigiado – os próprios cidadãos de Raltlor participam das homenagens ao templo vizinho em suas datas festivas. Essa vila é dominada pelos clãs Pau (pantera), Bau (unicórnio) e Riô (dragão).