Mudanças entre as edições de "Rarciós"

De Crônicas de Atlântida - Wiki
Linha 2: Linha 2:
 
'''Rarciós''' equivale a escravidão. Um atlante livre pode ser reduzido a esse estatuto por cometer crimes graves, tais como assalto à mão armada, estupro, homicídio e agressão a pessoas de estatuto elevado, ou por certa quantidade de reincidências em violações menores, tais como furto, fraude e agressão a pessoas de estatuto igual. Nesse caso, são degradados por sentença judicial e leiloados pelo Estado, ou usados por este em tarefas desagradáveis. Um [[nuciós]], em certos casos, também pode ser degradado a rarciós. Outros rarciós são prisioneiros de guerra e seus descendentes, concedidos pelo Estado a comandantes vitoriosos ou guerreiros destacados. O filho de mãe rarciós é também rarciós. Cerca de 12% da população de Atlântida está sob esse estatuto, representado por uma coleira de bronze ao pescoço, mas estão distribuídos de forma muito desigual.
 
'''Rarciós''' equivale a escravidão. Um atlante livre pode ser reduzido a esse estatuto por cometer crimes graves, tais como assalto à mão armada, estupro, homicídio e agressão a pessoas de estatuto elevado, ou por certa quantidade de reincidências em violações menores, tais como furto, fraude e agressão a pessoas de estatuto igual. Nesse caso, são degradados por sentença judicial e leiloados pelo Estado, ou usados por este em tarefas desagradáveis. Um [[nuciós]], em certos casos, também pode ser degradado a rarciós. Outros rarciós são prisioneiros de guerra e seus descendentes, concedidos pelo Estado a comandantes vitoriosos ou guerreiros destacados. O filho de mãe rarciós é também rarciós. Cerca de 12% da população de Atlântida está sob esse estatuto, representado por uma coleira de bronze ao pescoço, mas estão distribuídos de forma muito desigual.
  
Do ponto de vista da moral tradicional atlante, um amo que não seja desnecessariamente cruel para com seus escravos é um benemérito, pois proporciona casa, comida, um modo de vida e disciplina para pessoas supostamente incapazes de ganhar honradamente o próprio sustento ou de se conduzir decentemente em sociedade. Essa visão é contestada por correntes dissidentes, como os [[faroleiros]] e o culto de [[Chiuknawat]].
+
Do ponto de vista da moral tradicional atlante, um amo que não seja desnecessariamente cruel para com seus escravos é um benemérito, pois proporciona casa, comida, um modo de vida e disciplina para pessoas supostamente incapazes de ganhar honradamente o próprio sustento ou de se conduzir decentemente em sociedade. Essa visão é contestada por correntes dissidentes, como a [[Guilda dos Faroleiros]] e o culto de [[Chiuknawat]].
  
 
== Condições e limites da escravidão ==
 
== Condições e limites da escravidão ==

Edição das 17h21min de 2 de janeiro de 2016

Rarcios.jpg

Rarciós equivale a escravidão. Um atlante livre pode ser reduzido a esse estatuto por cometer crimes graves, tais como assalto à mão armada, estupro, homicídio e agressão a pessoas de estatuto elevado, ou por certa quantidade de reincidências em violações menores, tais como furto, fraude e agressão a pessoas de estatuto igual. Nesse caso, são degradados por sentença judicial e leiloados pelo Estado, ou usados por este em tarefas desagradáveis. Um nuciós, em certos casos, também pode ser degradado a rarciós. Outros rarciós são prisioneiros de guerra e seus descendentes, concedidos pelo Estado a comandantes vitoriosos ou guerreiros destacados. O filho de mãe rarciós é também rarciós. Cerca de 12% da população de Atlântida está sob esse estatuto, representado por uma coleira de bronze ao pescoço, mas estão distribuídos de forma muito desigual.

Do ponto de vista da moral tradicional atlante, um amo que não seja desnecessariamente cruel para com seus escravos é um benemérito, pois proporciona casa, comida, um modo de vida e disciplina para pessoas supostamente incapazes de ganhar honradamente o próprio sustento ou de se conduzir decentemente em sociedade. Essa visão é contestada por correntes dissidentes, como a Guilda dos Faroleiros e o culto de Chiuknawat.

Condições e limites da escravidão

O rarciós não tem direito legal a formar família ou possuir bens e é obrigado a executar qualquer serviço exigido pelo senhor, mas o senhor não pode matá-lo ou mutilá-lo, embora possa castigá-lo fisicamente “com moderação”. A personalidade humana do rarciós é reconhecida: o ato de matá-lo é julgado como assassinato. A pior punição para o rarciós, aplicada em caso de agressão ao senhor, é a degradação a varciós. A mera fuga do rarciós não justifica, normalmente, essa pena, mas um juiz pode autorizar o senhor a açoitar e encadear, ou mesmo a mutilar o escravo, em caso de reincidência.

Por concessão do senhor, pode receber alguma recompensa e mantê-la a título de pecúlio, talvez até usá-la para comprar sua liberdade, mas o senhor pode também retirá-la quando bem entender.

O rarciós pode ser dado ou vendido individualmente, salvo crianças com menos de sete anos, que não podem ser separadas das mães. Em geral, são guardas, serviçais domésticos de categoria inferior, incluindo faxineiros, ajudantes de cozinha, copeiras e outros serviços. Em geral, vale o equivalente a seis anos ou dois mil dias de salário de um cidadão livre que faça o mesmo serviço, o que significa cerca de 200 ases por um escravo não especializado. O rarciós pode ser elevado a nuciós por decisão irrevogável do patrão comunicada ao juiz, o que geralmente acontece caso lhe seja destinada uma tarefa de certa responsabilidade.

As crianças rarciós não são obrigadas a trabalhar antes dos sete anos. Podem frequentar as escolas públicas, se o seu senhor desejar. Caso mostrem aptidão acima da média, podem ser alforriadas pelo Estado, que indeniza seu senhor. Mulheres grávidas devem ser poupadas de trabalhos excessivos e têm o direito de amamentar seus filhos. Um senhor pode ser judicialmente obrigado a vender servos ou escravos (ou, se preferir, alforriá-los) caso abuse de suas prerrogativas. Em geral, um senhor pode alforriar seus rarciós a qualquer momento enquanto forem jovens e saudáveis, mas se não o fizer, responde por seu sustento na doença e na velhice.

Como forma de proteção ao artesão e camponês livre, a lei atlante geralmente não permite ao senhor alugar os serviços de rarciós a terceiros ou vender o produto do seu trabalho: este precisa ser inteiramente consumido pela família do senhor. Excetuam-se senhores relativamente “pobres”, com não mais de quatro escravos e estatuto não superior a zorciós: estes podem usar servos e escravos como ajudantes caso exerçam uma atividade profissional ou autônoma, tal como a de artesão, camponês ou pequeno comerciante, mas só pode viver inteiramente do trabalho dos rarciós por permissão especial, normalmente concedida apenas aos fisicamente incapacitados.

Escravidão penal

Escravidão penal é aquela imposta por sentença judicial como punição por um crime, por um tempo mínimo determinado (tipicamente vários anos) ou de forma perpétua. São tratados com mais severidade do que os escravos ordinários e não podem ser alforriados nem elevados a nuciós. Uma vez decorrido o tempo especificado na sentença, o escravo penal se torna escravo ordinário.

Escravidão condicionada

Escravidão condicionada é aquela na qual o escravo é vendido sob determinadas condições, o que geralmente significa que o amo se compromete a resgatá-lo se lhe for paga uma quantia especificada dentro de certo prazo, às vezes com acúmulo de juros. Esse tipo de arranjo é usado quando a liberdade de uma pessoa (menor sob pátrio poder ou adulto voluntário) é comprometida como forma de obter dinheiro para parentes ou associados e se torna penhor de uma dívida ou contrato. Caso o escravo seja revendido a terceiro, a obrigação é transferida ao novo amo, que deve ser previamente informado dessas condições. Um escravo condicionado é geralmente melhor tratado que um escravo ordinário e conforme a situação e a quantia em jogo, às vezes mais como um hóspede do que propriamente um escravo. Entretanto, se o prazo vencer as condições do resgate não forem cumpridas, o escravo condicionado se torna escravo ordinário.

Escravidão eletiva

Escravidão eletiva é aquela de menores vendidos por responsáveis pobres e incapazes de sustentá-los, de adultos livres declarados judicialmente incapazes de se sustentar (tipicamente depois de serem apanhados mendigando, o que é ilegal em Atlântida) ou, raramente, que decidem vender a si mesmos como forma de garantir sua sobrevivência em tempos difíceis ou por outras razões.


Ver também

Hierarquia civil