Sufixos de tratamento

De Crônicas de Atlântida - Wiki

Em senzar, sufixos de tratamento são normalmente agregados aos nomes das pessoas com as quais se fala. Em relacionamentos mais formais ou entre desconhecidos, esses sufixos são ligados ao estatuto pessoal, geralmente indicado por colares, anéis e detalhes dos trajes. O estatuto é determinado em parte pelo nascimento: uma pessoa livre que não seja de uma família real é considerada, ao nascer, como do grau hierárquico imediatamente inferior à sua mãe, até o mínimo de buciós (plebeu), tratado por -bu. Da mesma forma, outros nomes de estatutos se transformam em sufixos ao se excluir a terminação -ciós.

Conforme o desempenho nos estudos e comportamento na juventude, a pessoa pode ser mantida no estatuto no qual nasceu, elevada ou, mais raramente, rebaixada. Conquistas notáveis e ações indignas também podem levar a uma alteração formal de estatuto, a qualquer altura da vida.

Os sufixos de estatuto mais comuns, em ordem crescente de hierarquia, são -bu, -bin, - (plebeus mais ou menos respeitáveis), -quan, -zor, -cio, - e -hin (graus de pequena nobreza). Acima disso, existem seis graus aristocráticos: -nem, -ci, -pás, -, -kun e – e da realeza hereditária: -kal (integrante de uma família real), -tar (rei), -quar (membro da família imperial) e -vatar (imperador). Abaixo, os graus de servidão: -pós, -nu, -rar e -var. Para mais detalhes, confira Hierarquia civil.

Pessoas mais chegadas podem dispensar o sufixo de estatuto, substituído pelos sufixos -xin (para um ou uma amante), -ar (para um parente próximo, de sangue ou adotivo), - (querido amigo ou amiga) e -pu (colega, sócio, camarada, ou qualquer pessoa que se quer tratar de igual para igual).

Seria possível traduzir - por “Senhor” ou “Senhora”, -quan por “Dom” ou “Dona”, -xin por “meu amor” e assim por diante, mas isso nem sempre transmite as conotações dadas a esses sufixos.

Cônjuges e familiares próximos não compartilham necessariamente do mesmo estatuto, mas é polido chamá-los pelo sufixo do parente próximo de estatuto mais elevado que esteja vivo, agregado de uma partícula que define o parentesco: bor- (cônjuge), in- (irmão ou irmã), ci- (filho, filha ou descendente direto), ou xan- (pai, mãe ou ascendente direto).

Se um quanciós chamado Zi Temtés Sistu casar-se com uma mulher de estatuto mais elevado – zehciós, por exemplo – poderá ser chamado borzehciós (esposo de zeciós) e tratado como Zi-borzê. Se, em vez disso, for seu filho ou neto quem atingir esse estatuto, poderá ser chamado xanzehciós (pai de zeciós) e tratado como Zi-xanzê. Caso seu filho ou neto seja de estatuto inferior ao seu, esse filho ou neto poderá ser chamado (se for do mesmo clã) ciquanciós e tratado como Zi-ciquan. Na prática, portadores dessas partículas são tratados em sociedade como de estatuto ligeiramente inferior ao do parente de estatuto mais elevado, mas não gozam dos mesmos direitos civis e políticos que este e perdem o privilégio social caso o parente venha a falecer ou perder seu estatuto.

O lugar-tenente ou imediato de um soberano, alto funcionário ou comandante militar de grau elevado, independentemente de seu estatuto real, é designado com a partícula xi- e tratado como ligeiramente inferior ao seu chefe. Assim, se Sistu for designado vice-rei pelo imperador, provavelmente já terá sido antes elevado a vaciós e terá direito a ser chamado Zi-va, mas na condição de vice-rei será tratado como Zi-xivatar.

Usar um sufixo que pressupõe uma amizade ou intimidade não reconhecida pelo outro é desrespeitoso. Dispensar o sufixo é aceitável no meio de uma conversa relaxada, se o estatuto e a natureza do relacionamento estiverem bem claros, mas em uma conversa mais tensa ou formal sugere hesitação quanto à natureza da relação com o interlocutor, ou dúvida em relação ao estatuto que o outro de fato merece.

Usar explicitamente um sufixo de estatuto inferior ao devido é ofensa grave, salvo equívoco desculpável de um estrangeiro não iniciado nos costumes locais, promoção recente ou falta de insígnias reconhecíveis. Na dúvida, é preferível conferir a um estranho um estatuto mais elevado do que o aparente e transferir-lhe o dever de corrigi-lo, se for o caso.