Tlavatlis

De Crônicas de Atlântida - Wiki
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Os tlavatlis são um dos povos mais numerosos em Atlântida e em Kishar e deles se origina a língua tlavatli. Em outros tempos, governaram Estados poderosos, mas atualmente são na maioria súditos do Império Atlante e os restantes vivem em comunidades tribais relativamente primitivas em Lemté, Masté e Ralté. São chamados pelos acaios de mauroi (singular mauro, feminino maura), "negros".

A definição de tlavatli é um tanto imprecisa. Os originários de Rutá, Tlapalan, leste de Muté e seus descendentes, que falam a língua tlavatli ou descendem de antepassados que a falaram, costumam dizer que são os únicos tlavatlis "verdadeiros". Entretanto, os senzares costumam chamar de "tlavatlis" outros povos com características físicas similares - a saber, pele muito escura e corpo esguio - mesmo que tenham língua e cultura diferente. Como os tlavatlis "verdadeiros" são, depois dos senzares, o povo mais presente na elite, nas forças armadas e no governo atlante (ainda que minoritário), muitos destes povos aceitam esse rótulo relativamente prestigioso e tentam imitá-los.

Tipo físico e estereótipos

Pelos padrões da espécie dominante em Kishar, os tlavatlis são de estatura média a alta e de tipo físico esguio e ágil, com braços e pernas longos. São de pele extremamente escura, tanto quanto as etnias mais retintas da África. Os olhos são sempre negros, o cabelo é negro, variando de encarapinhado a cacheado. Os homens costumam ter pouca ou nenhuma barba. As bocas são grandes, os narizes achatados. As mulheres costumam ter seios pequenos e traseiros proeminentes.

Em Atlântida, os tlavatlis têm a reputação de serem alegres, atrevidos, preguiçosos e sensuais. Costumam ser flexíveis em relação às suas tradições e dão muito valor à individualidade e à realização pessoal. Isso está em boa parte relacionado ao fato de que as profissões tradicionalmente mais prestigiadas em Atlântida - a agricultura e o serviço do Estado e das forças armadas - estarem tradicionalmente nas mãos dos senzares. À maioria dos tlavatlis, resta dedicar-se a serviços menos prestigiados, supostamente mais "fáceis" e que abrem poucas possibilidades - pesca, olaria, serviços pessoais, costura, corte de cabelo, etc. - com exceção dos mais talentosos, que abrem seu caminho na sociedade atlante como magos, guerreiros ou funcionários com a desvantagem de pertencer a uma minoria, mas também com a vantagem de não estarem submetidos à rígida disciplina de clã dos senzares.

Os "falsos tlavatlis" de Nemté são fisicamente semelhantes, mas são de estatura menos alta, têm culturas mais primitivas e falam dialetos muito variados. Os de Masté oriental e Ralté são mais altos, têm cabelo crespo a ondulado e uma língua e cultura próprias, cuja relação com os tlavatlis de Atlântida é ainda mais incerta. Os de Masté ocidental são mais baixos e troncudos e têm uma grande variedade de culturas e línguas, a maioria delas sem relação evidente com o tlavatli propriamente dito.

Costumes

Pilpokali

Os tlavatlis da ilha de Rutá, Tlapalan e Muté, assim como os senzares, têm uma tradição matrilinear, mas em seu caso o papel da família e do tio materno é menos importante, enquanto o da mãe e da avó materna são muito mais importantes, configurando uma sociedade praticamente matriarcal, onde os homens têm relativamente pouca autoridade e responsabilidade. Fidelidade sexual não é algo que se cobre dos parceiros e demonstrações de ciúme explícito dão motivo a riso. O incesto é proibido, mas o consideram menos chocante do que os senzares: consideram-no uma contravenção, não um crime hediondo.

Os nomes tlavatlis são formados pelo nome de família herdado da mãe, mais o nome pessoal. Por exemplo, Nenet Tiakat, ou seja, Tiakat da família Nenet (da mãe).

Os jovens procuram ter relações tão logo cheguem à puberdade, e têm o privilégio tradicional de poder escolher qualquer parceiro mais velho (não incestuoso) para iniciá-los sexualmente. Depois disso, os jovens de uma mesma comunidade costumam morar juntos em uma grande residência coletiva, a pilpokali (casa dos jovens), trocando livremente de parceiros até que decidem se casar e constituir família. A lei e o costume tlavatlis não impõem regras rígidas sobre o casamento, aceitando todas as formas conquanto haja consentimento dos parceiros e em geral só o celebram quando a futura mãe já está grávida, ou mesmo depois do nascimento do filho. Divórcio e separação dependem de mera manifestação de vontade e não há preconceitos em relação a mães solteiras ou mulheres divorciadas. Homossexualidade e bissexualidade são bem aceitas e não trazem nenhum tipo de estigma.

No interior, sempre que o clima permite, os tlavatlis preferem andar nus e descalços. Na cidade, costumam usar tangas coloridas e sandálias. No frio, às vezes usam um poncho de lã, mas em algumas regiões preferem simplesmente untar-se com uma pomada oleosa, que confere uma proteção contra o frio comparável a uma roupa de inverno. Penteados complicados, pinturas e enfeites exóticos na cabeça e no corpo são comuns.

Com exceção da pilpokali, as residências tlavatlis são pequenas, feitas para abrigar famílias nucleares. São preferencialmente de madeira e pintadas com padrões geométricos em cores vivas. Em regiões alagáveis, costumam ser construídas sobre palafitas. Os tlavatlis costumam dormir sobre esteiras ou redes, sentem-se cômodos ao ficar de cócoras e muitas vezes dispensam qualquer mobília além da necessária na cozinha e biombos para dividir os ambientes. Nas grandes cidades, as famílias tlavatlis preferem morar em apartamentos pintados e decorados à sua maneira.