Zemen

De Crônicas de Atlântida - Wiki
(Redirecionado de Zemens)

Na terminologia militar atlante, uma zemen é um corpo de aproximadamente dez mil guerreiros, comandado por um mentô.

Zemen regular

Uma zemen regular conta com um grupo de comando, doze jins (coortes) de infantaria, duas de cavalaria, uma de artilharia e uma de engenharia, totalizando cerca de 10.000 homens. Há cerca de cem dessas zemens no exército de Atlântida.

Infantaria

A infantaria de uma legião regular geralmente inclui duas coortes de infantaria pesada (kabzés), duas coortes de arqueiros (vozés), duas de granadeiros (tenzés), três de lanceiros (razés) e três de besteiros (cenzés).

Em combate, a infantaria dispõe-se ao longo da frente de combate, dividida por zebás (companhias ou centúrias), com as jins de kabzés costumeiramente à frente e à direita. O infante deve ficar no coração do combate, ter contato físico direto, com as tropas adversárias, ver o branco dos olhos do inimigo e conquistar e manter posições. Deve suportar condições extremamente adversas e deve ter ótimo preparo físico para superar obstáculos naturais, fazer longas marchas carregando equipamento pesado e correr quando é preciso. Deve conviver com falta de sono, de comida e de conforto: é quem pega a batata quente. Também convive intimamente com o cansaço e a morte e, por isso, precisa de desprendimento, coragem e entusiasmo. O oficial infante deve ser um líder capaz de dar o exemplo e manter elevado o moral dos subordinados, apesar de todos os riscos. Geralmente, atua com sua tropa a uma distância muito próxima dos demais corpos de infantes e de seus superiores, tipicamente duzentos ou trezentos metros.

Cada jin de infantaria tem um núcleo de comando formado por um jintô, na maioria dos casos, ou terjintô, mais prestigioso, no caso dos kabzés (comparável, em ambos os casos, a um coronel ou tenente-coronel) que conta com três oficiais auxiliares (xijintôs ou xiterjintôs, comparáveis a majores) e uma equipe de magos, sacerdotes, músicos, instrutores, artesãos, escriturários e médicos, além de um pelotão de 40 soldados de elite sob comando direto do jintô, que também podem assumir o papel de policiais militares (no caso dos razés e cenzés) ou uma pequena guarda de honra para o polemarca e uma equipe de sessenta zorzés (no caso dos kabzés) ou trinta armeiros (no caso dos vozés e cenzés). Cada jin também é acompanhada por dez a vinte konkés, que recebem salários do Império para ficarem à disposição dos soldados em seus momentos de lazer e, se necessário, também atuam como auxiliares de enfermagem.

O resto da jin divide-se em seis zebás, cada uma delas formada por um bastô (comparável a capitão ou centurião), três auxiliares (xibastôs e tlabastôs, comparáveis a tenentes), um porta-bandeira, um corneteiro e 80 soldados, dez dos quais, graduados como saptôs (comparáveis a cabos ou terceiros-sargentos), lideram esquadras de oito homens. As zebás são forças coesas e muito solidárias, normalmente formadas totalmente (ou quase) por novos soldados recrutados em um mesmo município, ou então por veteranos que fizeram carreira em uma mesma zemen. Cada uma delas dispõe de um caravaneiro e pelo menos dez fortes animais de carga – termás ou elefantes – para transportar suprimentos e equipamentos pesados para as esquadras.

Cavalaria

A cavalaria atlante atua basicamente pelos flancos. Sua missão é fazer reconhecimento avançado através de incursões no campo adversário e abrir brechas na linha inimiga, favorecendo o avanço da infantaria. Para isso, necessita de impacto e rapidez, é a tropa do assalto e da decisão. Precisa movimentar-se com velocidade, entrar em contato com o inimigo e sair desse contato rapidamente – ir para cima de morro, barro, água, entrar de roldão como um furacão, destruindo e causando confusão nas hostes inimigas. O cavalariano ou amazona deve ser corajoso e rápido, não pode perder muito tempo raciocinando, não deve se preocupar muito com nada – espera-se que seja descontraído, largado. O oficial cavalariano ou amazona pode ter de comandar seu pelotão muito distante de seus superiores imediatos, às vezes vários quilômetros à frente.

Os cavalos são fornecidos pelo Exército e os nenguezés (cavalarianos) e leguezés (amazonas), ao contrário dos cavaleiros gregos, romanos e medievais, não precisam ser ricos ou pertencer à nobreza. Dado que a força do cavalo limita o peso dos cavaleiros, mulheres ou guerreiros de menor porte são preferidos para essa força – tlavatlis, fomoris ou helcarianos constituem a maior parte dos nenguezés das zemens atlantes.

As jins de cavalaria não são organizadas em seis zebás, mas em doze beres (pelotões) de 40 cavaleiros ou amazonas, comandadas por um bastô com um auxiliar (xibastô). O comandante de jin de cavalaria, que assim como o comandante de jin de cabzés usa o prestigioso título de terjintô e não de mero jintô, não conta com um pelotão de elite, mas apenas com uma guarda de honra de dez cavaleiros ou amazonas. Todos os membros da coorte, inclusive os auxiliares, dispõem de montaria.

Os cabguezés formam a primeira jin de cavalaria. São cavaleiros dotados de armadura de escamas, lança e quantal que montam cavalos cobertos por cota de malha. É uma cavalaria de choque, usada para fazer cargas contra formações de arqueiros e soldados a pé, ou atacar artilheiros que se escondem por trás de suas bombardas e catapultas.

As leguezés normalmente formam a segunda jin de cavalaria. São geralmente mulheres a cavalo – na maioria senzares, mas às vezes caris ou tlavatlis – armadas com arco composto, armadura de couro, capacete, cimitarra e espada curta que montam cavalos sem armadura. Essas tropas muito móveis dizimam os inimigos com arcos a uma certa distância; se estes tentam se aproximar, elas recuam confiando na resistência dos seus cavalos para vencer os perseguidores pelo cansaço, enquanto continuam a fustigá-los com flechas. Em algumas legiões, essa força é integrada por homens armados da mesma maneira, chamados nesse caso de nenguezés. Há uns poucos casos de jins mistas (geralmente lideradas por uma amazona), mas as turmas são sempre exclusivamente femininas ou masculinas.

A verdadeira cavalaria pesada não existe nos exércitos de Atlântida, até porque não há cavalos suficientemente grandes e fortes para carregar um senzar com armadura completa. Seu papel é assumido por carros de combate, elefantes ou outras montarias menos comuns.

Engenharia

A engenharia atlante, ou jin de sapadores, atua principalmente como apoio à infantaria. Normalmente inclui pelo menos cem oficiais engenheiros e duzentos auxiliares, reforçados por tropas de infantaria quando necessário. Suas atividades específicas são construir pontes rápidas para a transposição de cursos d’água, construir ou desativar armadilhas, fazer demolições com o uso de escavações e explosivos, remover obstáculos naturais e construir e operar máquinas de cerco (aríetes, torres móveis etc.) e rampas de acesso a fortificações inimigas. Em casos extremos, os engenheiros ou sapadores também podem atuar como tropas auxiliares de infantaria. Espera-se do oficial de engenharia que tenha individualidade, criatividade e capacidade de tomar decisões independentes. Seu trabalho pode às vezes ser braçal e pesado, mas também é fundamentalmente técnico e científico. Mas não pode ser tão perfeccionista e detalhista quanto o artilheiro, pois deve realizar suas tarefas rapidamente, muitas vezes sob ataque inimigo.

Artilharia

A artilharia atlante atua afastada da frente de batalha, apoiando a infantaria e a cavalaria com tiros de gastrafetas, escorpiões, políbolos e bombardas que, apesar do aspecto primitivo, são armas razoavelmente precisas e poderosas, uma vez que a alquimia e a magia atlantes possibilita projéteis explosivos. Uma jin de artilharia atlante tipicamente inclui cem peças de artilharia, 500 artilheiros e duzentos ou mais animais de tração, geralmente grandes cavalos. A artilharia deve imobilizar os inimigos com suas barragens de projéteis ou pelo menos os inquietar, causando-lhes adversidades e preparando o ataque de infantes e cavaleiros. Apesar de o desgaste físico do artilheiro ser menor que o do infante ou do cavalariano, seu trabalho também exige alguma resistência física e a capacidade de conviver ocasionalmente com falta de sono, comida e conforto. Seu trabalho é mais técnico que o das outras formações, exige habilidade matemática, meticulosidade e precisão.

Comando

O quartel-general de uma zemen normalmente fica na retaguarda do combate, mas se espera que o mentô que comanda a zemen ou os seus assessores diretos (ximentôs e tlamentôs) aparecem frequentemente na linha de frente para ver a situação com seus próprios olhos e encorajar as tropas. O núcleo de comando inclui também dezenas de oficiais auxiliares, ordenanças, magos, sacerdotes, médicos e escriturários, intendentes encarregados do abastecimento da legião e seus auxiliares.

Além disso, também tem eficazes combatentes sob seu comando direto: uma guarda de honra constituída de uma zebás de cabzés, uma de vozés, uma de cabguezés e uma de leguezés para as quais são escolhidos os mais experientes da legião, além de alguns grupos de combate especializados, a saber:

As bigas formam uma força de apoio aos cabzés. Uma típica zemen inclui oitenta bigas, guarnecidas de foices de aço nas rodas, blindados com lâminas de oricalco e puxados por dois cavalos igualmente cobertos de armadura. Cada uma delas é guiada por um cabguezé dotado de armadura de escamas e espada curta, que faz o papel de auriga e leva um experiente senzé, armado com uma besta de repetição ou com uma alabarda; ou então um vozé. Ao contrário das bigas usadas pelos antigos assírios, persas e indianos, as bigas atlantes têm boa suspensão, rodas emborrachadas, um sistema de direção que permite curvas fechadas e arreios eficientes que aproveitam ao máximo a força dos cavalos, mas mesmo assim só são utilizáveis em terrenos razoavelmente planos. Na maioria das vezes, esses cabzés e vozés combatem como a infantaria de linha e seus aurigas como cabguezés, ou então embarcam em elefantes de guerra e máquinas de assalto. Nos desfiles militares, porém, as tradicionais bigas sempre têm um papel de honra.

Os elefantes formam um grupo especial. Uma típica zemen inclui vinte elefantes atlantes, maiores que os elefantes da Terra (em média, pesam doze toneladas e têm mais de quatro metros de altura). Cada um deles leva um cornaca (tratador) e quatro vozés ou levozés. Ocasionalmente, são usados outras espécies de grandes animais, tanto como plataformas de combate quanto como aríetes vivos.

As firéns leves são pequenos veículos aéreos mágicos, com a forma de barcos alados, usados para reconhecimento e ocasionalmente também para bombardeio. Uma zemen procura dispor de pelo menos dois ou três desses veículos.

Os dracos também são usados para reconhecimento; uma legião procura ter também dois ou três deles.

Os mateiros são uma força de especialistas em camuflagem e rastreamento, usada como batedores e espiões e para realizar ataques especiais. Operam individualmente ou em pequenos grupos, podem usar uma grande variedade de armas e equipamentos – principalmente arcos curtos e espadas curtas – e recebem treinamento avançado em artes marciais. Geralmente também são treinados como alpinistas e especialistas em sobrevivência. Muitos trabalham com animais treinados. Alguns são especialistas em pombos-correio. Outros adestram falcões para caçar pombos-correio do inimigo e ajudar no reconhecimento da região. Há também os que treinam grandes cães e felinos de guerra, tais com os santares, que podem usar cota de malha. Uma zemen típica inclui 40 a 100 mateiros, agrupados em quatro a dez equipes, uma das quais deve contar com uma matilha de cães de guerra e outra com seis a dez santares, ou equivalente.

A cavalaria ligeira (raguezés) é formada por homens ou mulheres a cavalo ou por centauros, equipados com armadura de couro e quantal. São usados como batedores e mensageiros; ocasionalmente, podem auxiliar no combate fustigando a infantaria ligeira, ou perseguindo inimigos em fuga. Cada zemen conta com três ou quatro turmas de cavalaria ligeira.

Zemen de Assalto

Uma zemen de assalto enfatiza engenharia, artilharia, máquinas de assalto, armas pesadas, elefantes e outros grandes animais e possui pouca ou nenhuma cavalaria, salvo batedores e mensageiros. São usadas principalmente no sítio de fortalezas e cidades amuralhadas. Há uma dúzia dessas zemens, estacionadas em torno de Ki e Duaraka, na fronteira oriental, visando a possibilidade de uma guerra com reinos como Bárria, Aíria e Bárata, que contam com grandes cidades e fortificações complexas em regiões próximas da fronteira.

Zemen Móvel

Uma zemen móvel é tipicamente formada por doze jins de cavalaria e quatro de infantaria (geralmente vozés e razés), mais elefantes e carros de combate. Algumas zemens móveis são formadas exclusivamente por mulheres (incluindo a infantaria). Zemens móveis são usadas principalmente nas fronteiras com nações rivais cujos exércitos se baseiam na cavalaria; há dez delas na fronteira oriental, dez na ocidental e quatro em torno do mar de Muxan.

Zemen de Segunda Classe

Uma zemen de segunda classe é de qualidade inferior e menor tamanho, formada por seis a doze jins, geralmente dez (sem kabzés – só vozés e razés) com um pequeno comando, num total de 3.000 a 8.000 guerreiros. É usada para guarnecer vice-reinos e estados vassalos nos quais não são esperados conflitos significativos. Nessas legiões pode haver coortes mistas de infantaria e cavalaria ligeira (tipicamente 480 infantes e 120 cavaleiros, amazonas, ou centauros). Há cerca de 40 dessas zemens reduzidas.

Ver também

Zexen