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Xambala-Manova

De Wiki - Crônicas de Atlântida

Xambala-Manova e arredores (arte de Mushisan)
Xambala-Manova e arredores (arte de Mushisan)

Xambala-Manova (Syambhala-Manava, na correta transliteração do agarti) é a capital do Império de Agarta.

Tabela de conteúdo

Fundação

Segundo a lenda, em 780 dFA, o Manu Rudhra, fundador do Império de Agarta, recebeu ordens de seu deus Mavrit para levar seu povo à Ilha Branca de Xambala, que havia sido santuário mais sagrado dos helcarianos. Teve uma visão que lhe mostrava seu povo vivendo, crescendo e se fortalecendo nas praias do Mar de Helcar. Seu Império seria fundado na própria Ilha Branca e uma grande cidade se ergueria na costa fronteira, cujo plano ditou com todas as ruas marcadas, inclusive suas larguras e o tamanho dos principais edifícios. A cidade foi cuidadosamente planejada décadas antes de chegar o povo que a habitaria, ao fim de uma guerra fulminante e sanguinária em que os despreparados helcarianos foram praticamente trucidados.

Por mil anos se construiu essa capital. O Imperador e seu séquito instalaram-se inicialmente num alto promontório no noroeste da baía. O povo foi alojado na planície fértil que se estendia pela costa, em bairros provisórios que não interferissem no plano geral. Teve de dedicar nesse trabalho todo o tempo disponível além do estritamente necessário para cultivar a terra para sua própria sobrevivência. Foi aplicado muito ouro nas edificações, especialmente nas construídas de mármore branco. Os desenhos decorativos são formados por calcedônia branca polida e ônix negro. Outro artifício favorito consiste na combinação de jade verde escuro e pórfiro roxo. Não se faz uso de pinturas murais, nem de perspectiva. Grandes frisos pintados e em alto-relevo representam procissões, com todas as figuras do mesmo tamanho, sem dar idéia de distância ou espaço.

Dos morros se obtiveram metais e pedras de várias cores — brancas, cinzentas, vermelhas e verdes, bem como pórfiro de esplêndida púrpura. Utilizaram pedras imensas, algumas das quais com 50 metros de comprimento, transportadas sobre roletes com a ajuda de máquinas. Os magos do Manu as endureceram depois de talhadas e tornaram-nas mais leves por meio de magia, de modo que pudessem ser erguidas para ocupar seus lugares.

A cidade dupla

A grande cúpula do templo central
A grande cúpula do templo central

A cidade do continente, que recebeu o nome de Manova em homenagem ao Manu, espalha-se em forma de leque em torno da borda da costa, marinhando pelos morros. A Ilha Branca é o centro para o qual convergem as grandes ruas principais, de modo que, se atravessassem o mar interposto, terminariam na ilha. Visto do promontório do noroeste, onde fica o antigo Palácio Imperial, o conjunto parece um grande olho dentro de um triângulo, em torno do qual as linhas mais escuras da cidade no continente formam uma auréola.

Xambala, com 200.000 habitantes, ocupa um círculo de aproximadamente 3,5 quilômetros de raio e 40 quilômetros quadrados dentro da Ilha Branca, cuja área total é de 80 quilômetros quadrados. Manova, no continente, tem 3.500.000 habitantes e ocupa uma área total de 280 quilômetros quadrados, estendendo-se, a partir das praias, por seis a nove quilômetros terra adentro. As duas, juntas, totalizam 3.700.000 habitantes, formando o terceiro maior centro urbano do planeta depois de Atlântis e Ki.

Xambala

A cidade sagrada de Xambala é o conjunto construído sobre a Ilha Branca, habitado principalmente por sacerdotes, pela corte do Manu e por seus servidores imediatos, num total de 200 mil habitantes. Tem uma forma levemente cônica e é coberta por palácios e templos de mármore branco com incrustações de ouro, cercados de arcos e minaretes. Voltadas para o centro, as construções estão dispostas num grande círculo cortado por quatro avenidas principais em cruz que se encontram no grande Templo do Fogo Sagrado, coroado por uma cúpula imensa. A cúpula cobre um grande salão, onde os cinco deuses padroeiros das cinco castas agartianas aparecem no Festival do Fogo Sagrado. No caminho entre a Ponte e o Templo, ergue-se o palácio do Manu, com cerca de 30 hectares.

Ponte Bifarasta

Bifarasta ou Asbru é a enorme ponte que liga Xambala a Manova, tão impressionante que o conjunto é chamado “Cidade da Ponte”. É uma construção em modilhão, lavrada de volutas maciças e decorada com grandes grupos de estatuária. As pedras da calçada medem 50 metros de comprimento, 25 metros de largura e dois de espessura, com massa de 3.500 toneladas cada uma. Além de servir às necessidades quotidianas, é o palco da grande procissão anual para o Templo do Fogo Sagrado, que se concentra na praça Madhyagraha. A ponte tem um comprimento total de quatro quilômetros e uma largura de 25 metros.

Nas suas imediações estão a hospedaria militar que recebe oficiais de outras regiões em missão na capital, o quartel-general do exército e a sede da polícia secreta, a Kraukura. Liga-se diretamente com as estradas do Oricalco e do Aço, que ligam a capital às províncias do Oeste e do Leste do império.

Manova

Do mar se erguem rochedos baixos, a partir dos quais a terra sobe gradualmente até chegar os montes azulados, a trinta quilômetros de distância. Apesar de exposto aos ventos frios do Norte, o panorama é magnífico. A cidade se espalha em forma de leque em volta da praia, estendendo-se por uma rampa suave. As ruas principais são tão largas que de suas extremidades nas colinas pode-se avistar a Ilha Branca, ponto culminante que domina toda a vida da cidade. A vista da ilha que se descortina da extremidade de uma das ruas de Manova, a uns dezesseis quilômetros de distância, é impressionante, com todos os edifícios parecendo saltar no ar em direção à grande cúpula branca do centro, em meio ao mar azul de Helcar.

Essa é a cidade profana, dividida por grandes avenidas em 36 distritos de estrutura e população semelhantes (90 mil a 100 mil habitantes cada um). São planejados com conjuntos residenciais, áreas comerciais, de lazer e manufatureiras padronizadas, com construções que seguem os mesmos alinhamentos e estilos arquitetônicos. Cada um desses distritos, que não têm nomes, mas apenas números (ímpares do lado oeste e pares do leste, crescentes do centro para as pontas), é dividido em cinco subdistritos, cada um deles habitado por uma casta que adota uma cor predominante característica nas suas vestes e construções. O mais próximo do mar é o dos yavanas, casta dos artistas, cuja cor é o verde. O seguinte é dos tautas, casta dos guerreiros, que usa vermelho. O terceiro, central, é dos sindhus, casta sacerdotal, e também concentra a praça principal do distrito, seus templos e armazém principal. O quarto, azul, é dos pardhavas, administradores e comerciantes. O quinto e mais próximo das montanhas é o dos arabayas, artesãos e construtores de amarelo. Os subdistritos da cinco castas, dispostos todos na mesma ordem com as mesmas cores, dão de um ângulo apropriado a impressão de um arco-íris cercando a ilha de Xambala.

Cidade Velha

Com uma área total de 200 hectares, é a parte mais antiga e menos planejada da cidade e ocupa um promontório a noroeste, onde viveram o imperador e seus seguidores antes da construção de Xambala e Manova. É cercada por uma antiga muralha, inclui um farol para advertir os navegantes dos rochedos que a cercam e é formada por palácios e templos antigos, hoje praticamente desabitados, mas conservados por razões históricas e usados como depósitos e escritórios administrativos.

Gueto dos Estrangeiros

É um bairro fechado por um muro alto junto ao mar, a oeste da ponte Bifarasta e do centro de Manova. Ali as caravanas e embaixadas vindas do estrangeiro se alojam e seus mercadores fazem seus negócios. Não podem sair de lá a não ser com autorização expressa e salvo-conduto das autoridades militares de Manova e de modo algum podem pisar em Xambala.

Zona do Porto

É um bairro junto ao mar a leste da ponte e do centro de Manova. Há ali uma base naval e um porto para os navios mercantes que trafegam pelo 'Daishiya Samudra' (“mar interior” em agarti), chamado mar de Helcar pelos atlantes. Há também hospedarias e tavernas para viajantes agartis, cassinos e bordéis. É a área mais livre de uma cidade fortemente vigiada e disciplinada, onde é possível ter diversão e confraternização informais.

Vales das Quatro Castas

Quatro vales se estendem do interior da cordilheira que se estende ao sul de Manova até a praia do mar de Helcar, separados um do outro por morros interpostos. O Manu Rudhra disse ter recebido instruções de Mavrit para estabelecer súditos escolhidos nesses vales e promover sua reprodução seletiva, de maneira a estabelecer os tipos ideais das castas inferiores agartis: tuata (guerreira), pardhava (pastoril), arabaya (camponesa) e yavana (artística). Ao longo dos séculos, as populações desses vales tiveram seus casamentos pelos sacerdotes (a chamada casta sindhu) e sua reprodução entusiasticamente incentivada. A seleção foi orientada com o objetivo de que cada membro de cada casta viesse a nascer com os atributos físicos e mentais mais adequados à função social à qual seria destinado. Os excedentes da população dos vales foram orientados, ao longo desses séculos, a se estabelecer nos territórios conquistados de maneira a moldar a estrutura de castas em toda a extensão do Império e, eventualmente, do mundo.

Entretanto, fora dos limites dos vales, os planos não funcionaram inteiramente a contento da casta sacerdotal. Verificaram-se com frequência relações não autorizadas, bem como revoltas e insatisfações contra os lugares destinados na sociedade agarti a cada casta, que levaram populações inteiras a se revoltarem. Para evitar uma instabilidade maior, o Império de Agarta acabou por admitir que exércitos inteiros de insatisfeitos fundassem seus próprios Estados vassalos, com suas próprias leis, para além do núcleo imperial original, dando origem a Acaia, Bárria, Aíria e Bárata.

Atualmente, os quatro vales têm, no total, 3.000 quilômetros quadrados e 600.000 habitantes. Trata-se de uma área basicamente rural, pontilhada de aldeias e pequenas vilas sob estrita supervisão sacerdotal. São como haras humanos onde os tipos ideais das castas são criados e multiplicados com as qualidades físicas e psicológicas desejados pelos sacerdotes que ditam os casamentos (Xambala serve como “haras” da casta sacerdotal) antes de serem enviados a emigrar para a cidade ou para outras regiões para “melhorar” a raça agarti. O vale dos tautas serve também para o treinamento militar dos jovens da capital, assim como os outros são visitados por jovens de suas castas para seu aperfeiçoamento.

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